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03 outubro 2013

- Servindo a Cristo com motivações corretas



Consolado para consolar

“Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus” (2 Coríntios 1.4)
           
 Esse estudo vai nos mostrar que os sofrimentos por causa de Cristo são compensados com o conforto vindo de Deus, que é a fonte de toda consolação.

A segunda carta aos coríntios capítulo 1.1-24 tem como objetivo principal o de consolar e encorajar os seus destinatários. Foi escrita pelo apóstolo Paulo após receber a informação de que os coríntios haviam se arrependido (2Co 7.9) mediante exortações feitas na primeira epístola (2Co 7.8).

            O propósito de algumas figuras representativas da Igreja na Bíblia foi o de mostrar a necessidade da unidade e o cuidado mútuo entre os cristãos. Por exemplo, a Igreja como corpo de Cristo mostra a interdependência dos membros que a compõem (1Co 12.26, 27). Portanto, a consolação deve ser também, uma prática constante na igreja. Vejamos:

I – Aplicando adequadamente a consolação (vv. 3-11)

       Deus é a fonte de toda consolação e também “o Pai das misericórdias”; um manancial que permeia a Igreja dos santos, dando subsídio para que possamos consolar uns aos outros na mesma proporção em que somos consolados. Ele é o “Emanuel” – Deus conosco. Sua presença e promessas são o nosso sustento e consolo em momentos de aflição: “porque Ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5).

       O mais comum é que o Senhor nos ajude a solucionar os nossos problemas e a vencer as tentações por meio da coragem, do bom senso, dos conselhos e orações dos nossos irmãos; mas, algumas vezes, tudo isso parece falhar e então precisamos confiar exclusivamente em Deus.

       O Salmo 42.11 apresenta-nos uma bela ilustração da esperança reconfortante em Deus:
“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face e o meu Deus”.
       No versículo cinco o texto deixa claro que os motivos para a consolação são “as aflições de Cristo”. As perseguições por causa de Cristo constituem sofrimento para todos que a Ele devotam suas vidas. Todo cristão verdadeiro deve estar preparado para os sofrimentos que possivelmente advirão e para o consolo que dele resulta.

       Embora não devamos forçar para que o sofrimento venha a nós, o texto sugere que Deus nos dá da Sua graça na mesma proporção dos sofrimentos que suportarmos por causa de Cristo. Sofrer muito por Cristo significa receber abundante conforto da parte Dele. Aliás, esta é a equação divina mostrada em muitas situações: Para salvar a humanidade, dispensou superabundante graça onde abundou o pecado (Rm 5.20); ao contribuinte generoso, “que semeia em abundância, em abundância também ceifará” (2Co 9.6); aos que sofrem por amor a Cristo: “Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo” (2Co 1.5).

       O alvo da consolação são os próprios cristãos (vv. 6-10). Deus consola o crente para que este console o seu próximo, numa corrente sucessiva. A palavra consolação – “paraklesis” – implica em fortalecer e apoiar os outros com palavras racionais e confortantes, estando ao lado deles nos momentos de provação (Rm 12.15; Hb 13.3). Trabalho semelhante desempenha o Espírito Santo, que é chamado de “Consolador” – “parakletos” (Jo 14.16).

       O ministério da consolação é maravilhoso, pois fortalece e anima àqueles que estão sofrendo. É necessário que os crentes busquem este exercício cristão. No entanto, isto só é possível quando brota da experiência pessoal de sofrimento e da recepção do consolo de Deus.

       Há certos benefícios na Bíblia que só podem ser experimentados à medida que os comunicamos ao próximo: O amor (Jo 15.12); o perdão (Ef 4.32) e o consolo (2Co 1.4).

       Podemos ver um belo exemplo de conforto na atitude de Paulo ao animar, durante uma viagem tempestuosa, os passageiros e os marinheiros do navio, repassando a eles o mesmo consolo que recebera do anjo de Deus (At 27.21-26).

       O versículo 11 aponta o sofrimento do apóstolo Paulo por causa de Cristo, como podemos ver em segundo Coríntios 7.5; 11.24-28, no entanto, Deus o consolou (2Co 7.6, 7). Ainda assim, ele roga aos irmãos que lhe ajudem com orações intercessoras, a fim de que seja bem sucedido no ministério. Os benefícios da intercessão são muitos:

       1) É um verdadeiro auxílio para quem está sendo objeto da intercessão;
       2) Produz ação de graças por parte de quem vê suas orações respondidas; e
       3) Concede benefícios para todos os que oram.

       Na escola de Deus, aprendemos, por meio das aflições, a consolar outros com o mesmo consolo que recebemos de Deus.

II – Conservando adequadamente a consolação (VV. 12-24)



            Para consolar uns aos outros não se deve restringir a belas palavras poéticas, precisa sim, de atitudes.

            Ter atitudes deve ser o comportamento adequado de cada membro, e, deve começar pelas lideranças que é muito salutar. Só desta forma o consolo pode ser conservado.


            Partindo desse ponto, algumas atitudes podem ser observadas:

            1. O comportamento das lideranças (vv. 12-19)

                        O alto conceito alcançado pelo apóstolo Paulo diante da igreja de corinto deveu-se ao seu estilo de liderança pautado em Deus. Ele disse: “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com simplicidade e sinceridade de Deus...” (v. 12).

                        A simplicidade de Deus é a singeleza ou naturalidade do modo como vivemos e como transmitimos aquilo que recebemos de Deus, sem acréscimos, subtrações, distorções e misturas.

                        A sinceridade pode ser ilustrada por meio do processo de sacudir cereais numa peneira para separá-los de toda sujeira. Paulo não receava o exame perscrutador da igreja e nem de Deus (Sl 139). E é desta forma que o s líderes devem compartilhar o seu ministério com a Igreja. A transparência é de suma importância para que se conquiste a confiança dos liderados. As informações truncadas, omitindo a verdade são um péssimo recurso usado por um líder, que certamente o levará a perder o bom conceito, suscitando no seio da igreja desconfiança e murmurações.

                        A simplicidade e a sinceridade, pelos seus benefícios e por afugentar maus pensamentos, podem ser vistas, também, como um consolo para os filhos de Deus.

            2. A fé nas promessas de Deus (v. 20)

                        Todas as promessas do AT, concernentes a Cristo, tiveram seu cumprimento cabal, por isso tiveram nEle o sim, ou seja, o Amém, que significa “de fato” (Ap 1.7). Portanto, em Cristo está o sim de todas as promessas de Deus: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3).

                        Deus nos tem dado grandiosíssimas promessas (2Pe 1.4), portanto, a firme confiança do cristão naquele que é fiel para cumpri-las, gera muito consolo (Hb 10.23).

            3. A atuação de Deus (vv 21, 22).

                        Deus nos ungiu e nos selou dando-nos, também, o penhor do Espírito Santo. O selo é a marca que nos identifica como Sua propriedade exclusiva. O penhor é a garantia do pagamento total de bens ou serviços. No caso específico aqui, o Espírito Santo é o sinal que Deus enviou aos nossos corações para garantir a herança espiritual pela que nos aguarda no provir.

                        Hoje, o consolo do cristão que se empenha em fazer a vontade de Deus, é a sua herança que está guardada nos céus e a garantia desta verdade é a presença marcante e constante do Espírito Santo em nós, testificando que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Este ensino é confirmado em Efésios 1.13, 14: “em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória”.

            4. A cooperação de todos (vv. 23, 24)

                        Paulo estava disposto a poupar os crentes coríntios quanto ao rigor da disciplina demonstrada na primeira epístola, apesar deles ainda demonstrarem atitudes altivas e orgulhosas. Ele quis ser um ministro conselheiro fomentando a santificação e a alegria espiritual, sem assenhorear-se da fé dos irmãos. Ele queria ser um cooperador com eles para o gozo deles.

                        Encontramos uma boa ilustração na primeira Epístola aos Coríntios, onde os ministros são aqueles que semeiam e zelam pela “lavoura” de Deus que é a Igreja. Os santos são o resultado da semeadura, sendo a própria lavoura (1Co 3.9). Ambos receberão galardão de Deus pela sua cooperação mútua.

            Concluímos que os sofrimentos de Cristo trazem benefícios para a igreja, pois além de ser uma demonstração clara de que estamos vivendo sinceramente o evangelho e, consequentemente, sofrendo perseguições, “em tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro” (2Co 7.5), somos também beneficiados com o consolo vindo de Deus “Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo” (2Co 1.5). E assim podemos, também, consolar uns aos outros. Glória, pois ao Deus de toda consolação!

02 outubro 2013

- Deus deve ser adorado em toda sua plenitude

"Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor: como alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva como chuva serôdia que rega a terra" (Oséias 6.3)

Assim diz o texto de Salmo 136.1-15:

"1 - Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade é para sempre.
2 - Louvai ao Deus dos deuses; porque a sua benignidade é para sempre.
3 - Louvai ao Senhor dos senhores; porque a sua benignidade é para sempre.
4 - Àquele que só faz maravilhas; porque a sua benignidade é para sempre.
5 - Àquele que com entendimento fez os céus; porque a sua benignidade é para sempre.
6 - Àquele que estendeu a terra sobre as águas; porque a sua benignidade é para sempre.
7 - Àquele que fez os grandes luminares; porque a sua benignidade é para sempre.
8 - O sol para governar de dia; porque a sua benignidade é para sempre.
9 - A lua e as estrelas para presidirem a noite; porque a sua benignidade é para sempre.
10 - Que feriu o Egito nos seus primogênitos; porque a sua benignidade é para sempre.
11 - E tirou a Israel do meio deles; porque a sua benignidade é para sempre.
12 - Com mão forte, e com braço estendido; porque a sua benignidade é para sempre.
13 - Àquele que dividiu o mar Vermelho em duas partes; porque a sua benignidade é para sempre.
14 - E fez passar Israel pelo meio dele; porque a sua benignidade é para sempre.
15 - Mas derribou a Faraó com o seu exército no mar Vermelho; porque a sua benignidade é para sempre.

Deus é ilimitado, porém põe limite. O homem por sua vez se limita conhecer Deus. Todavia, devemos nos empenhar ao máximo em conhecê-lo como Ele é (Os 6.6). Ele se revela por meio de Sua criação, por meio das Escrituras Sagradas e por meio de Jesus Cristo (Hb 1.1).

A Palavra de Deus nos traz o pleno conhecimento de que Deus é uma pessoa (Jó 13.8). Entretanto, não como eu ou você, visto que uma característica importantíssima, dentre outras, O separa dos demais seres, qual seja o de ser substancialmente espírito e, como tal, invisível aos nossos olhos, mas, sempre presente. Seus atributos são refletidos em Cristo, que é o "resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa" (Hb 1.3).

Sua santidade é o atributo que expressa a genuína pureza moral de Deus, tornando-o intolerante à maldade. Deus é distintivamente santo. Esse atributo divino, além de ser uma referência à sua total separação do mal, ratifica também sua glória e honra: "Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal..." (Hab 1.13). A Sua santidade requer que nos assemelhemos a Ele (1Pe 1.15).

Essa santidade pura e graciosa se confunde com o próprio caráter de Deus. Ele foi gracioso no passado, é no presente (Ef 2.13) e será no futuro (Ef 2.7). A Bíblia diz que, nós estávamos mortos, mas revivemos; éramos perdidos, mas fomos achados (Lc 15.32). Foi Deus quem fez isto. Ele nos vivificou. Nele, e somente Nele, encontramos vida (Jo 1.4).

É nEle e para Ele que devemos viver e é justo quando exige que julguemos segundo a verdadeira justiça (Jo 7.24), quando exige que sejamos imparciais nos nossos relacionamentos, quando exige que vivamos segundo o seu padrão de retidão (1Jo 2.29). Conhecer mais a Deus implica em imitar ao Seu filho Jesus em todos os seus atos e quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como Ele é o veremos (1Jo 3.2b). Segundo a Bíblia, toda injustiça é pecado, e quem é nascido de Deus não vive na prática do pecado (1Jo 5.17,18).

Deus não visualizou o nosso sucesso intelectual, profissional ou mesmo espiritual, antes nos amou, mesmo quando não O conhecíamos. Estávamos mortos em nossas ofensas, mas Deus "pelo seu muito amor com que nos amou... nos vivificou juntamente com Cristo... e nos fez assentar nos lugares celestiais" (Ef 2.4-6). A Bíblia não diz que o Senhor esperou que fôssemos santos, bons, amorosos, justos ou moralmente corretos, para depois nos amar (Rm 5.6). Ele simplesmente nos amou (Jo 3.16). "Como é precioso o teu amor! Na sombra das tuas asas, encontramos proteção" (Sl 36.7 NTLH).

Devemos ter em mente que a absoluta soberania de Deus pode ser constatada em Isaias 40.22. Deus é soberano na Sua absoluta liberdade e na Sua suprema vontade. Nada pode contrariar a vontade soberana de Deus e não existe outro poder que confronte o Seu. "Quem não é por mim é contra mim" (Lc 11.23).
Quando conhecemos o Deus soberano, nossa vida muda consideravelmente. A nossa visão, antes entenebrecida, agora percebe que tudo está no Seu controle e que nós somos como "marionetes" em suas mãos poderosas (Is 40.22); por isso "Quem não te temerá?" (Ap 15.4).

A Sua misericórdia é imensurável (Sl 103.11), eterna (Sl 25.6) e soberana (Ex 33.19). A maior manifestação da misericórdia de Deus, sem sombra de dúvida, foi demonstrada quando Ele ofereceu o Seu próprio Filho para que o mundo fosse salvo por Ele (Jo 3.16, 17). Estávamos mortos em nossos delitos e pecados e Deus proveu o Cordeiro perfeito como propiciação por nós (Jo 1.29). Esse Deus misericordioso é o nosso Pai celestial, e a sua vontade é que todos sejam salvos, por meio da fé em Cristo Jesus, que morreu por todos os ímpios a fim de garantir-lhes a salvação eterna (Rm 5.6).

Nós como seres humanos temos o conhecimento de Deus muito finito, diferentemente do divino, diante do qual todas as barreiras de desfazem. A sabedoria do Senhor excede a toda ciência dos homens, a todas as experiências comuns ou à possibilidade de entendimento humano (Tg 3.17). Em diversas partes, a Bíblia mostra como a sabedoria de Deus contraria a maneira racional dos povos (Êx 8.16-19; 2Cr 9.1).

Devemos acreditar que toda criação proclama os feitos estarrecedores do Senhor, anunciando a sua bondade, pois uma das formas de fazer a bondade de Deus conhecida é por meio da  publicação ou divulgação pela boca de seus servos (Is 63.7). Somos testemunhas dos benefícios do Senhor (Sl 27.13). À vista disso, convocamos a todos a proclamar o bem que tem feito a nossa alma (Sl 103.1, 2), falando das suas gloriosas e majestosas obras (v. 5). Como já provamos dos bens do Senhor, devemos levar outros a provar o quanto Ele é bom (Sl 34.8).

Somos conhecedores da onipresença e onisciência de Deus e acreditamos que estamos acompanhados a todo instante. Não importa se estamos sofrendo e passando pelas amargas águas de Mara (Ex 15.23) ou adentrando a terra prometida, Ele nos cerca por trás e por diante com um cuidado do qual não podemos escapar. É impossível fugir da presença do Senhor: "Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face?" (v. 7).

Como compreender que o sofrimento dos justos é instrumento para a realização dos sábios propósitos de Deus? Ora, se nós não conseguimos compreender nem mesmo como funciona a criação, e nem entender como e por que as coisas acontecem, como pensaríamos em questionar a Deus? A visão humana sobre o governo divino é extremamente limitada, o que nos leva a rejeitar a sua bondade e justiça, e nisso pecamos. Nunca chegaremos a compreender as razões da dor que sofremos por meio de Sua vontade permissiva, visto que, nem mesmo temos acesso aos acontecimentos que nos rodeiam nas regiões espirituais.

Que Deus nos abençoe e nos guarde pois o fim está próximo. Amém.

14 setembro 2013

- Onisciência e Onipresença de Deus



Os olhos do Senhor estão em todo lugar
Salmo 139.1-12

Conhecer a onisciência e a onipresença de Deus vai além de uma declaração verbal. Esse conhecimento exige intimidade e comunhão com Ele, levando-nos a um comportamento diferente daquele que praticávamos outrora.
O Salmo 139 traz uma mensagem de um autor que não apenas aceita que Deus está em todos os lugares e sabe de todas as coisas, mas que O adora por reconhecer as implicações geradas por esses atributos. O salmista confessa não apenas ter sido ensinado dessa forma, mas ter descoberto, em meio à sua intimidade com Deus, que Ele é de fato, onisciente e onipresente.
Como entender esse relacionamento que o salmista tinha do Deus onisciente e onipresente? Vejamos:

I.       Somos cientes da impossibilidade de fuga

Entendemos que Deus sabe tudo e está em todos os lugares, por isso não devemos perder tempo agindo de forma contrária à sua vontade, pois temos a firme consciência de que é impossível fugir de Sua presença.

1.       É impossível fugir de Deus

                               “Tu me cercastes em volta e puseste sobre mim a tua mão” (v. 5). 

                               Deus jamais desampara os seus. Ele está em todos os lugares não apenas testemunhando nossos desertos, mas nos auxiliando em sua travessia. “Como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o Senhor está em volta do seu povo, desde agora e para sempre” (Sl 125.2). Reconhecer a onipresença e onisciência de Deus é acreditar que estamos acompanhados a todo instante. Não importa se estamos passando pelas amargas águas de Mara (Ex 15.23) ou adentrando a terra prometida, Ele nos cerca por trás e por diante com um cuidado do qual não podemos escapar, mesmo que, por motivos diversos.

2.       É impossível fugir da justiça de Deus

       “Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também” (v. 8).
      
       Aquele que reconhece a onipresença e a onisciência divina sabe que não pode fugir de Sua justiça. Por vezes, vemos o caminho do ímpio prosperar e até questionamos se Deus está ciente de suas ações pecaminosas. Contudo, quanto mais intimidade com nosso Senhor, mais certos ficamos de que Sua justiça finalmente prevalecerá (1Rs 22.30-40). Saul e Davi retratam bem esta questão. Enquanto que o primeiro tentou até as últimas consequências justificar seus erros e burlar a justiça de Deus, o segundo se convenceu de que não havia como escapar dela. Suas histórias deixam clara a diferença da ação da justiça de Deus naquele que reconhece a soberania divina (Sl 94.12-13) e naquele que age como se pudesse ludibriar o próprio Deus (1Sm 15.22-23). A Sua justiça chega para todos, mas só aprende com ela quem quer.

3.       É impossível fugir da presença de Deus

       “Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face?” (v. 7).

       Várias são as razões que levaram (e ainda levam) ímpios e servos de Deus a tentar fugir da Sua presença: vergonha pelo pecado, medo, desobediência à voz de Deus, etc.

       O livro de Jonas é em si o relato de um servo que, por motivos “racionalmente legítimos”, não quis obedecer à ordem de Deus e escolheu, sem sucesso, tentar fugir do Senhor (Jn 1.3). Afinal, entender que os bárbaros ninivitas, por décadas torturaram vários povos, também sejam dignos do perdão divino; não é nada fácil! O profeta, contudo, descobriu que nem no ventre de um peixe, nas profundezas do mar, estaria fora do alcance do criador e a Ele clamou dizendo: “Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do inferno gritei, e tu ouviste a minha voz” (Jn 2.2).

II.     Somos cientes que Deus conhece tudo

                        “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”. (Hb 4.13).

                        Aquele que conhece o Deus onisciente e onipresente sabe que Ele conhece bem todos os segredos, se não vejamos:

1.       Ele sabe o que fazemos e porque fazemos

                               “Senhor, tu me sondas e me conheces” (v. 1-3).

                          Com essas palavras, o salmista reconhece o supremo conhecimen- to divino sobre a sua vida. A sonda é uma espécie de instrumento utilizado para medir a profundidade de rios, ou locais que não podem ser fisicamente alcançados. Ao reconhecer que Deus nos sonda, estamos reconhecendo que Ele nos conhece em profundidade, e sabe exatamente quem somos, por onde andamos o que fazemos e porque fazemos. Podemos enganar nossos irmãos ou até a nós mesmos, mas não podemos enganar Deus. Se O temos em nossos lábios, mas não em nossos corações Ele o sabe (Jr 12.2, 3). Nossa aparência e nossas obras não são capazes de camuflar nosso coração perante o Senhor. No momento de escolher um substituto para Saul, até o sábio profeta Samuel se deixou levar pela aparência. Todavia, aquele que conhece os corações o impediu de ungir a Eliabe como rei de Israel (1Sm 16.6-7).

2.       Ele conhece nossas atitudes futuras

                              “Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces” (v.4).

                              Deus não apenas sabe o que somos e o que fizemos, mas o que nos tornaremos e o que faremos. Quando Pedro disse que morreria por Cristo se fosse preciso, realmente tinha intenção de fazê-lo; o que ele não tinha era conhecimento suficiente para saber que não seria capaz de cumprir com o desejo de seu coração. Devemos cuidar para não fazermos votos movidos pela emoção. Deus, que nos conhece, não coloca sobre nós fardos que não possamos suportar, pois Ele sabe dos nossos limites. Em contrapartida, nós não temos mais do que um vislumbre de nossa presente intenção. Jesus conhecia o amor de Pedro, bem como sabia que ele seria martirizado por causa do Evangelho. Contudo, as palavras de negação que esse apóstolo proferiria horas mais tarde já ecoavam nos ouvidos do Senhor (Jo 3.38). Ele sabe tudo o que vamos fazer, antes mesmo de o fazermos.
3.       Deus está acima da nossa compreensão

                               “Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir” (v. 6).

                           Quanto mais conhecermos ao Deus onisciente e onipresente, menos O questionaremos, por uma razão muito simples: sabemos que Seu conhecimento é muito maior do que podemos suportar. Se compreender o “raciocínio de Deus” fosse requisito para cumprir Suas ordenanças, Gideão não teria saído para lutar com uma parcela mínima de seus homens disponíveis, armados com tochas e jarros (Jz 7.7); Josué não teria conquistado Jericó (Js 6.1-21); Davi não teria matado Golias (1Sm 17.49); Filipe não teria sido “teletransportado” (At 8.39-40); e Pedro não teria andado sobre as águas (Mt 14.29). Não importa se a estratégia parece insana, se o plano vem de Deus, Ele sabe exatamente o que está fazendo e não devemos perder tempo tentando compreender, basta dar o primeiro passo que Ele faz o chão aparecer embaixo de nossos pés. “Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos...” (Is 55.9).

                   Concluímos mais um estudo onde conhecer o Deus onipresente e onisciente é muito importante, pois o reconhecimento da grandeza divina inevitavelmente gera mudança de atitude, e nos transforma. Quando compreendemos que é impossível sair da presença de Deus e que Ele conhece plenamente a tudo e a todos, tornamos-nos adoradores mais autênticos, servos mais confiantes e dependentes. Não há como refletir sobre o caráter de Deus e não adorá-lo na beleza da sua santidade, ou não confiar plenamente em Sua suprema ciência e presença. Quando conhecemos plenamente o nosso Deus, temos ousadia para sairmos de nossa zona de conforto sempre que Ele nos confiar um de seus maravilhosos planos, embora muitas vezes sejam eles incompreensíveis. Não na como conhecer o Deus onipresente e onisciente e permanecer o mesmo.

Reflita:

“Deus está sobre todas as cousas, sob todas as cousas, fora de todas as cousas, dentro, mas não enclausurado; fora mas não excluído; acima, mas não levantado; embaixo, mas não deprimido; inteiramente acima, presidindo; totalmente embaixo, sustentando; totalmente por dentro, preenchendo”. (Hildeberk de Lavardin)
 Paz do Senhor