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23 julho 2014

- E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes,... (Lc 6.46-49)

INTRODUÇÃO

O Alicerce do Cristão
o cristão está incumbido de trabalhar na edificação da sua própria vida. O Senhor já estabeleceu o fundamento para que cada um construa ali a sua casa: "mas veja como cada um edifica sobre ele" (1 Co 3.10).

O construtor insensato é assim chamado porque não se cerca das devidas precauções, calcula mal e perde a noção da realidade à ruína. Assim também, aqueles que perderam o bom senso não poderão resistir aos dias maus (Ef 6.13). Eles são comparados a um homem insensato, pelos seguintes motivos:

I - UMA VIDA DESESTRUTURADA

1. Rejeita as palavras de Cristo

Deixar de ouvir a Palavra de Deus é o primeiro erro; ouvir e não praticá-la é o erro final. Muitos estão pregando que não se deve roubar e roubam; que não se deve adulterar e adulteram; que se devem buscar as coisas do alto, mas não buscam, porque são materialistas (Rm 2.21, 22). Não podemos proclamar um evangelho que não vivemos. Os que ignoram a Palavra de Deus, que é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Sl 119.105), não podem ter, de forma alguma, uma vida espiritual estruturada.

2. Constrói um fundamento inadequado

Construir sobre a areia é mais fácil, mais barato e exige menos esforço físico que cavar os alicerces numa rocha; e é por isso que o homem insensato optou por este tipo de edificação. Para alguns cristãos, este tipo de fundamento é o ideal, pois dispensa transformação, oração, contribuição, serviço e renúncia. O construtor insensato edifica sobre a areia porque a sua vida é baseada em outro evangelho (Gl 1.8), que é o evangelho da felicidade descompromissada com Deus e com a sua Palavra. Ninguém pode colocar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Cristo (1Co 3.11).

II - UMA VIDA SOLIDIFICADA

Em um projeto devem estar inclusos: as condições do terreno, o tamanho da casa a ser construída, a boa qualidade do material a ser usado, as condições do tempo etc. O Senhor Jesus, fazendo a aplicação desta parábola, diz que no reino dos céus, o homem que edifica de acordo com as normas estabelecidas pelo sábio Arquiteto É prudente. Vejamos como isso é possível:

1. Ouve a palavra de Cristo

É importante notar que o insensato também ouve (cf. v. 49), contudo não pratica o que ouve, vivendo apenas na teoria. No entanto, estas normas são aplicáveis a todos "Todo aquele..." (Mt 7.24). É de suma importância ouvir as palavras de Cristo como fundamento para a verdadeira edificação. Por isso, "bem-aventurado... os que ouvem as palavras... e guardam" (Ap 1.3). Paulo profetizou que, nos últimos tempos, muitos teriam comichões nos ouvidos e se irritariam ao ouvir as palavra de Cristo (Tm 4.3,4). Existem cristãos que não apreciam a Escola Dominical e os cultos de doutrina; no entanto, quem quiser edificar a sua casa de forma adequada e duradoura, terá que ouvir as palavras de Cristo: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" (Mt 11.15).

2. Pratica as palavras de Cristo

Na concepção de Tiago, aquele que atenta bem para a palavra de Deus é um bem-aventurado (Tg 1.22-25). A ideia é a mesma usada por Jesus que substituiu o verbo "praticar" pelo verbo "edificar". Segundo Jesus , o cristão só se tornará forte e bem estruturado se praticar a sua Palavra: "A palavra de Cristo habite em vos abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros... (Cl 3.16a). Só assim poderemos crescer até atingir a estatura de varão perfeito (Ef 4.13).

3. Uma vida edificada sobre a rocha

Construir sobre fundamente sólido é edificar sobre a Palavra de Cristo (1Co 10.4). Trata-se das nossas vidas e de todas as nossas atividades totalmente inserida Nele. "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus..." (Gl 2.20a). Uma casa, para se firme e poder resistir à ação devastadora do tempo, precisa estar fundamentada sobre a rocha. Do contrário, não resistirá às provações que certamente se abaterão sobre todas as edificações.

III - A VIDA APROVADA

Todos conhecem a história dos três porquinhos? Um construiu a sua casa com palhas, o outro usou madeiras, mas o terceiro usou tijolos. No teste final, somente a casa de tijolos ficou de pé. Não é por acaso que o terceiro porquinho chamava-se Prático. Assim como na história dos porquinhos, todas as edificações serão submetidas ao teste final; contudo, nem todas serão aprovadas. Como assim?

1. Será uma ação devastadora:
  • Do tempo - Muitos não poderão suportar por longo tempo, e aí as suas verdadeiras obras serão reveladas e seus segredos serão expostos (Mc 4.22);
  • Das provações - Para os que receberam a palavra e se entusiasmaram, sem que, contudo, tivessem raízes alicerces, e acabaram desmoronando (Mc 4.16, 17);
  • Das tentações - Muitos crentes, depois de anos servindo na obra, caíram em fracasso e se desmoronaram. Eram casas construídas sobre a areia;
  • Do julgamento - "Portanto, nada julgues antes do tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor" (1Co 4.5);
  • Da eternidade - A eternidade revelará que tipo de material usamos na edificação. Se verdadeiro e resistente ou se falso e carregado de vaidade (1Co 3.l3).
2. Muitas edificações ficarão em ruínas

O Senhor Jesus concluiu esta parábola dizendo que, diante do teste final, a casa construída sobre a areia caiu, e completou: ... e foi grande a ruína daquela casa" (v. 49). Uma vida alicerçada no amor ao dinheiro, na cultura secular, na aparência exterior e no sucesso não resistirá à ação demolidora do juízo final (Ap 20.11-15). Como bem disse o salmista Davi: "Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá" (Sl 1.5,6).

3. Muitas edificações permanecerão inabaláveis

A resistência não está nas paredes da casa edificada, e sim no alicerce. O crente que ouve a Palavra de Deus e a pratica está construindo a sua vida sobre a Rocha que é Cristo, e nesta Rocha ele está seguro (Sl 125.1). É importante frisar que uma vida inabalável não pressupõe imunidade à doença, desemprego, sofrimento ou morte. Todos nós estamos sujeitos a estas intempéries. Se vivermos em obediência ao que as Escrituras nos ensina, temos a convicção de que nada poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8.39).

CONCLUSÃO

Vimos os dois tipos de alicerces: um construído na areia e o outro sobre a rocha. Jesus Cristo, ao usar estas figuras, referia-se à vida cristã que deve ser muito bem alicerçada para que não venha a ruir. As Palavras de Cristo ressoam por toda a parte, quem tem ouvidos, ouçam-nas. Ainda há tempo de recomeçar; ainda há possibilidade de reconstruir. Abandone agora todo material de construção obsoleto, que não tem lhe permitido edificar sua vida espiritual sobre um fundamento seguro, e comece a viver pautado nas palavras de Cristo.

Reflexão:

"A Rocha significa a Palavra de Cristo que revela a vontade do Pai que está nos céus. O viver diário do crente deve ser pautado na Palavra de Cristo para realização dos planos de Deus. Isto é entrar pela porta estreita e andar pelo caminho apertado que conduz à vida. A chuva que cai dos céus, as torrentes que vem da terra, os ventos que sopram nos ares, referem-se à ação de Deus, dos homens e de Satanás, respectivamente, colocando à prova o viver e a obra do cristão.". (Comentário Bíblico Restauração)


09 junho 2014

- As atitudes do cristão

Dai, e ser-vos-á dado - Lucas 6.37-45

"Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.
Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?
O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for beminstruído será como o seu mestre.
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto.
Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.
homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.".

     As atitudes dos cristãos estão evidenciadas, em grande parte, nas parábola de Jesus Cristo; e nesta passagem não é diferente. Ao fim desse estudo, perceberemos que esta parábola não trata apenas do julgamento alheio, mas de ações que envolvem a generosidade e o amor para que seja alcançada a perfeição diante do Senhor e, através dos frutos, mostrarem como devem ser as atitudes do verdadeiro cristão.

AS ATITUDES DOS CRISTÃOS DEVEM SER COM AMOR

     Jesus Cristo enfatiza a questão do julgamento, porém surgem duas concepções diferentes a respeito  deste assunto: para alguns, o verdadeiro cristão não pode julgar; para outros, o julgamento já se tornou um hábito constante em suas vidas. Mas, afinal, o crente pode ou não julgar? Para uma atitude verdadeiramente cristã, é necessário analisar essa questão com generosidade e amor.
     No versículo 37, Jesus sempre vivia rodeado de pessoas consideradas a escória do mundo, mas nunca as tratou com indiferença. Àqueles que estavam errados por não conhecerem a verdade, Ele os enxergava com seu olhar de amor, ensinando-lhes o caminho da salvação (Mt. 9.10-13).
     Bem distantes do exemplo de Cristo, muitos cristãos perdem a oportunidade de angariar almas para o reino, por causa do seu julgamento preconceituoso acerca das pessoas, trazendo com isso irritação e desrespeito ao Evangelho de Cristo. A Palavra nos diz em João 8.32: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Por isso, o amor deve ser sempre o bálsamo que limpa a nossa visão do preconceito e nos leva a pronunciar a verdade, trazendo libertação e não um julgamento indiferente.
     "... Pode, porventura, um cego guiar outro cego?" (Lc 6.39b). Devemos evitar injustiça no julgamento. É impossível cumprir alguns mandamentos sem avaliar as pessoas. Os apóstolos, por exemplo, julgavam e nos instruem a fazer o mesmo, traçando um perfil de todos aqueles a quem devemos nos afastar para proteger a Igreja das  falsas doutrinas e outros tipos de contaminação (1Co 5.11-13; 2Jo 1.7-11; Jd 1-4, 12-24). No que se concerne a indicação de alguém a um cargo, nós também devemos julgar o caráter do candidato, restritamente à luz das exigências bíblicas, a fim de fortalecer a Igreja com uma liderança que honre o seu cargo (Tt 1; 1Tm 3).
     Estes julgamentos, como observamos, devem ter alvos específicos e estar envoltos pelo forte laço do amor par que não se cometa injustiças e não se lance fora dos braços de Cristo pessoas que estão em dificuldades e que precisam, como amor, serem restauradas à presença do Salvador. E, ao final, é sempre bom lembrar que "com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo" (Lc 6.38c).

OS CRISTÃOS DEVEM VISAR A PERFEIÇÃO DE CRISTO

      No versículo 40, Jesus falava a pessoas que se julgavam perfeitas, no entanto, estavam mergulhadas na hipocrisia. Embora fossem dizimistas, negligenciavam o mais importante da lei: a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23.23) O Evangelho de Cristo, contudo, nos constrange a atitudes mais nobres.
     Como cristão devemos enxergar nossos próprios defeitos e muitas vezes, o homem não consegue olhar o espelho da sua alma, pois o seu reflexo fere de maneira contumaz os princípios cristãos. Contudo, ergue-se em sua arrogância, sentindo-se capaz de apontar os defeitos alheios e ainda corrigi-los. Para estes, é preciso lembrar as palavras contidas em João 8.7: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela".
     Para tentar alcançar a perfeição do Mestre é necessária uma análise diária, enxergando os próprios erros e defeitos, e com arrependimento retirar as "traves" que impedem uma vida correta diante de Deus e também dos homens; "... e, então, verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão" (Lc 6.42). 
     O cristão deve ajudar nas dificuldades alheias para alcançar a perfeição diante de Cristo sem ter os olhos voltados para os que estão à nossa volta, ajudando-os a se colocarem de pé. Como nos diz Ernest Blevins" "O melhor exercício para fortalecer o coração é abaixar-se e levantar os que estão caídos".
     A Palavra dos diz que Jesus não foi enviado para condenar o mundo mas para salvá-lo (Jo 3.17). Em Mateus 12.20 vemos que Jesus "Não esmagará o galho quebrado, nem apagará a luz que já está fraca" (Bíblia Linguagem de Hoje). Até o último instante, Ele cuidará dos feridos para que sejam restaurados. O cristão, também, precisa sentir a real dificuldade daquele que está ao seu lado precisando de ajuda para erguer-se novamente diante de Deus. Isso se chama misericórdia, e tal como agimos com o nosso próximo, assim o Senhor agirá conosco (Mt 18.23-35).

OS CRISTÃOS DEVEM PRODUZIR BONS FRUTOS

     É sempre possível reconhecer a qualidade de um fruto entregue a Cristo, pelas palavras e ações que procedem de um verdadeiro cristão.
     Não há dúvidas de que o ser humano é conhecido por tudo o que diz por meio das palavras, pois são as palavras que nos qualificam como sábios, ignorantes, sensíveis, arrogantes, etc. Mais que um mecanismo da fala, as palavras estão carregadas de pensamentos e sentimentos que provêm do coração (Pv 10.19-21). É por meio delas que colhemos os nossos frutos para Cristo. Por isso  é tão importante que tenhamos cuidado com tudo aquelo que dizemos, pois as palavras formulam o conceito que as pessoas têm a nosso respeito, e também à respeito do Senhor, a quem dizemos servir (Cl 3.8-17). "... porque da abundância do seu coração fala a boca" (Lc 6.45).
     Os frutos decorrentes das nossas ações não serão avaliados por Deus somente quando finalmente os entregarmos a Cristo, mas são analisados constantemente por todos aqueles que nos cercam (Fp 1.9-11). Enganam-se aqueles que desprezam os atos corriqueiros da vida diária, como se não fosse observados. São as nossas pequenas atitudes de justiça, de amor, de colaboração e ajuda ao próximo, contadas como belos frutos, que levam as pessoas a desejarem também servir ao nosso Senhor e a cooperarem conosco no crescimento do Reino Celestial.
     Ser cristão não é uma ideia, mas ação e atitude; por isso devemos ter cuidado com a projeção dessas atitudes, pois elas refletem quem somos, o que pensamos e o que trazemos no mais íntimo do nosso coração. A reflexão diária sobre os nossos erros e defeitos deve sem constante, para que o amor transborde de um coração misericordioso, capaz de entender as dificuldades alheias. Somente assim conseguiremos caminhar em direção ao Mestre, levando conosco vidas que, mesmo em face às mais diferentes dificuldades em manterem-se de pé, são tão preciosas quanto cada um dos que se acham tão "perfeitos".

30 maio 2014

- Critérios no uso dos talentos

Introdução
A comparação do reino dos céus com o conteúdo da parábola dos talentos é evidente: "Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens" (Mt 25.14). Jesus mostrou claramente a responsabilidade dos seus arautos em "negociar" tudo o que Ele os legou na sua partida para o Pai, até o regresso para levar-nos consigo.

Queremos com isso dizer que, nesse estudo iremos abordar os "Critérios" para a distribuição dos talentos, a forma correta de utilizá-los e o tipo de retribuição que todos os servos, sejam eles bons ou maus receberão do Senhor.

Em Mateus 25.14-30, o Senhor não distribuiu os talentos aleatoriamente, mas usou de alguns critérios para que, quando voltasse, tivesse como avaliar de forma justa e coerente o comportamento e o desenvolvimento de cada um deles. O crescimento e expansão do reino dos céus dependem da multiplicação dos talentos. Vejamos os critérios utilizados pelo Senhor:

I - HOUVE CRITÉRIOS NA DISTRIBUIÇÃO DOS TALENTOS

1. O Senhor chamou todos seus servos (Mt 25.14b)
Todos os servos foram convocados a comparecerem diante do senhor; e, no que diz respeito ao Reino de Deus, este foi também o primeiro critério utilizado: Ele chamou a todos. Entendemos que não exista um só cristão que possa se desculpar diante do Rei da glória, visto que a todos foi dada a oportunidade de apresentar algum serviço diante Dele. Você, meu irmão, é importante para Deus. No reino dos céus não existe, no que depende de Deus, servo inútil.

2. O Senhor confiou seus bens a todos (Mt 25.14c)
O segundo critério foi o da confiança. No reino dos céus não há nada de pouco valor, pois são os bens pertencentes ao Senhor. Notamos aqui duas coisas significativas: Primeiro, a confiança que o Senhor depositou em nós, e isso é admirável. O Senhor confiou em nós e espera a devida correspondência; Segunda, nos entregou o melhor, ou seja, seus próprios bens. Ele não dificultou e nem nos deu fardos pesados: "O Senhor dará bens aos que lhe pedirem" (Mt 7.11).

3. O Senhor considera a capacidade de cada um (Mt 25.15b)
Vejamos o que Deus leva em consideração no que diz respeito aos talentos distribuídos:

a) Individualidade - O Senhor tratará com cada um de nós individualmente e não com a multidão como um todo. Não poderemos nos esconder Dele. "E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas" (Hb 4.13);

b) Responsabilidade - Cada um deve desenvolver o dom adquirido e não apenas conservá-lo. Ninguém cantará, pregará ou fará qualquer outra coisa por você. O dom é seu;

c) Identidade - O Senhor nos conhece (Jo 10.14), temos uma identidade. No universo inteiro não existe outro exatamente igual a você, Ele te chama pelo nome (Jo 10.3).

d) Capacidade - Diante de Deus, ninguém pode dizer: "Senhor, não tenho competência". O Senhor não te deu talentos acima da sua capacidade: "Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares" (Js 1.9).

II - CRITÉRIOS NO USO DOS TALENTOS

Quando utilizamos os dons de Deus, estes se multiplicam, pois transformam nossas vidas de tal maneira que ficamos em condições de revelar mais a plenitude que Ele nos oferece. O amor gera mais amor; a fé, mais fé, a obediência à Palavra de Deus produz uma fonte de virtude que vai influenciando nosso ambiente, ou seja, no trabalho, em casa, na escola, com os vizinhos e principalmente na igreja. (2Pd 1.3-8). Portanto:

1. É necessário trabalho e confiança
Éramos escravos e o Senhor nos elevou à posição de mordomos, dando-nos talentos. Por isso, devemos nos empenhar em prol do Seu Reino.

O versículo 16 de Mateus 25 "E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos" mostra que o servo contemplado com cinco talentos "foi imediatamente negociar", revelando a sua imensa devoção ao seu Senhor. Vamos analisar essa frase "FOI IMEDIATAMENTE NEGOCIAR"

a) Ação - "foi". O servo não esperou ser mandado, pois entendeu que o Senhor jamais lhe daria algo tão valioso apenas para ser guardado. O Senhor esperava atitude da parte dele;

b) Urgência - "imediatamente". Tinha consciência de que havia um tempo limitado entre a partida e o regresso do seu Senhor, que voltaria para ajustar as contas;

c) Responsabilidade - "negociar". O servo não gastou o talento, ele o aplicou de forma a obter lucro para o seu Senhor. Não esnobou no uso dos talentos, porque não eram seus;

d) Capacidade - "ganhou outros cinco". Negociar com os talentos não é vendê-los para angariar riquezas para si, como muitos cantores e pregadores têm feito. O bom servo, fiel, conseguiu lucro de cem por cento para o seu Senhor.

2. É necessário deixar a negligência e a desobediência

A parábola nos revela que, enquanto dois labutaram confiadamente, um servo foi negligente e desobediente ao seu Senhor. Agiu de forma contrária dizendo: "Eu sei que o senhor é um homem duro, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Fiquei com medo e por isso escondi o seu dinheiro na terra. Veja! Aqui está o seu dinheiro" (versículos 24 e 25 Versão na Linguagem de Hoje). Ele não quis arriscar-se e fazer o dom circular. Preferiu a neutralidade, isentando-se da responsabilidade.

Muitos, agem de forma idêntica, "enterram os seus talentos". São cristãos que têm medo de Deus, por não conhecerem o seu amor e não possuírem intimidade com Ele.

III - HAVERÁ CRITÉRIOS NA RETRIBUIÇÃO DO SENHOR

O reino dos céus tem se expandido na terra, graças à ação do Espírito Santo na Igreja. Os servos fiéis não têm poupado esforços no sentido de aplicar seus talentos para a maior glória do Rei dos reis. Em contrapartida, os servos inúteis têm persistido na negligência e na ociosidade. Quando o Senhor voltar, chamará a todos para restarem contas (2Co 5.10). Vejamos então que acontecerá:

1. Ao servo fiel, reconhecimento e recompensa (Mt 25.21)

Todo empregado gosta de ser reconhecido na tarefa que executa. De igual modo, quando estivermos ali, perante o Senhor, nós que desenvolvemos o nosso talento, ouviremos dele: "muito bem, servo bom e fiel". Isso compensará todo o sofrimento, cansaço e lágrimas vertidas, pois o Senhor será o nosso alento e enxugará dos nossos olhos toda lágrima (Ap 21.3,4). Na avaliação do Senhor o que mais pesou foi o fato do servo mostrar fidelidade sobre o pouco. Muitos argumentam que não pregam porque não são grandes pregadores, ou não ensinam porque não são teólogos. Mas quem é infiel no pouco, é infiel no muito; por isso Deus não pode confiar aos tais muitos bens. Os servos que multiplicaram seus talentos receberam bênçãos dobradas. Se formos fiéis, Ele próprio nos receberá orgulhoso do nosso desempenho, nos fará entrar no regozijo reservado para os vencedores (Rm 8.37; Ap 21.7).

2. Vexame, rebaixamento e desprezo (vv 26-28)

O servo mau é aquele que age com negligência, preferindo deixar para outro aquilo que ele mesmo poderia fazer. Trata-se de uma preguiça espiritual, que é como um câncer destruidor, que impede o servo de produzir (Pv 13.4).

O fato de ter recebido apenas um talento em nada prejudicou o servo negligente na hora do acerto final, pois o que multiplicou os dois talentos teve o mesmo tratamento daquele que multiplicou cinco (vv. 21, 23). A inutilidade do servo está na falta de "produtividade" no Reino de Deus, e por isso, ele foi lançado fora da presença do Senhor. Notemos a sequência dos fatos: O acerto começou com o que possuía cinco talentos até chegar ao que só tinha um. Isso indica que o servo mau presenciou seus conservos sendo recompensados, antes de ser ele mesmo lançado nas trevas exteriores. Não pode existir desprezo pior! É como o rico que, atormentado, teve condições de ver Lázaro no seio de Abraão (Lc 16.23).

Ao concluirmos esse estudo vamos lembrar do refrão do hino 16 da harpa cristão que diz: "Posso tendo as mãos vazias, com Jesus, eu me encontrar? Quantas almas poderia ao Senhor apresentar?". O trabalho que fizermos para o Reino pode levar alguém a ter um encontro com Cristo. Você está desenvolvendo o seu talento? Se o enterrou ainda há tempo de desenterrá-lo, para que possa ser negociado em favor do reino dos céus. Lembrem-se, o Senhor virá em breve e o requererá das suas mãos.