13 outubro 2014
20 setembro 2014
- Pai, pequei contra o céu e perante ti" (Lucas 15.18).
Consequências de uma vida sem Deus
O que nos leva ao distanciamento de Deus
Introdução
Dentre as parábolas contadas pelo Senhor Jesus, a do filho pródigo, talvez, seja a que melhor descreve a situação daquele que se distancia de Deus. Em contrapartida, nos esclarece a respeito do grande amor do Pai, que espera de braços abertos aquele que se arrepende (Lc 15.20; Mt 11.28-30).
Neste estudo mostraremos os motivos que levam muitos ao distanciamento do Senhor, bem como as consequências resultantes dessa atitude. Por outro lado, veremos que sempre há a possibilidade de regresso à casa do Pai, de forma a experimentar a restauração que Ele opera em nós pelo seu grande amor.
Examinando o tema desse estudo, podemos entender o que levou o filho pródigo a deixar a casa de seu pai:
1. Imaturidade
O versículo 12 de Lucas 15 diz o seguinte:
"E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda."
Quem saiu de casa foi o mais jovem. Nesse caso específico, parece que a falta de experiência o levou a pensar nos prazeres fáceis, sem se dar conta do que poderia sofrer.
A imaturidade tem levado muitos ao fracasso nas mais diversas áreas: conjugal; financeira; social; e ministerial, etc. Os prazeres mundanos: prostituição; drogas; orgias, alucinam e atraem com facilidade os imaturos. Sem contar que estes são facilmente engodados por doutrinas antibíblicas que cada vez mais os afastam de Deus (Ef 4.14).
2. Premeditação
Versículo 13:
"E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente."
O moço já havia maquinado a respeito da sua saída, insistindo em seguir os desejos da sua carne. O sábio Salomão disse: As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é suave" (Pv 9.17). O pecado é, aparentemente, agradável, mas o seu salário é a morte (Gn 3.6; Rm 6.23). Deus abomina o "coração que maquina pensamentos viciosos, e pés que se apressam a correr para o mal" (Pv 6.18). Há alguns que pecaram por deslize; outros, simplesmente premeditaram; tiveram tempo para refletir e se arrepender, mas não o fizeram. É o exemplo de Davi, que cometeu adultério e, por consequência, matou Urias (2Sm 11.1-24).
3. Independência
"...ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua..." (v. 13) - Alguns cristãos abandonaram as suas congregações em busca de um evangelho fácil, de uma vida "cristã" isenta de renúncia. São crentes infrutíferos, inimigos da verdade, seguidores de fábulas (2Tm 4.4). Quase sempre é o desejo ardente por esta falsa liberdade que motiva filhos a saírem da casa de seus pais, para gozarem a libertinagem, e é por essa razão, também, que muitos saíram da presença de Deus.
4. Insensatez
Versículo 17:
"E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!".
Esta expressão mostra o quanto aquele jovem estava fora da realidade, uma vez que, estando totalmente fora de si foi capaz de tomar decisões tão descabidas quanto as que tomou.
A Palavra de Deus revela que uma vida pecaminosa está relacionada à falta de juízo, ou seja, quem anda errado, está fora de si (Sl 53.1; Mc 5.15). Ao homem que julgou estar seguro por toda a vida, em virtude de ter grãos em abundância, Deus disse: "Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?" (Lc 12.20).

Consequências do distanciamento de Deus
Distante do pai e sem os seus conselhos, o filho pródigo se viu agora mal vestido e faminto, desejando comer aquilo que era oferecido aos porcos. Muitos cristãos, distanciados de Deus, estão sofrendo estas amargas consequências, vejamos:
1. Perda de valores
O versículo 14 de Lucas 15, diz assim:
"E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades".
O incauto veio a padecer necessidades de tudo que abundava na casa do pai. Isso indica que houve perda nos seguintes sentidos:
- Valores materiais:
Até os empregados da casa de seu pai gozavam de maiores privilégios. A pobreza não é consequência de pecado, mas um estado miserável que pode indicar distanciamento de Deus, onde os bens não são duradouros;
- Valores psicológicos:
O filho passou a demonstrar um estado de morbidez, sofrendo com o rebaixamento da auto-estima. Este é o estado daquele que se distancia de Deus "...havendo perdido todo o sentimento, se entregaram..." (Ef 4.19), passando a ter uma disposição mental reprovável, ou sentimento perverso (cf. 1.28);
- Valores espirituais:
Houve perda de comunhão com o pai. Quem procura o caminho dos prazeres desvinculados de Deus, enterra os talentos, apaga-se a luz do evangelho, perde o sabor do sal, a alegria e, por fim, a vida eterna.
A atitude do filho de sair de casa nunca foi da vontade do Pai, mas mesmo assim, Ele está sempre de braços abertos para recebê-lo.
Solução para o distanciamento de Deus
Diante do exposto acima, o que o jovem, ao recobrar a lucidez, foi capaz de fazer:
1. Reconheceu seu estado miserável
Saul, embora não tenha se arrependido de verdade, pôde declarar: "Eis que procedi loucamente e errei grandissimamente" (1Sm 26.21). O filho pródigo passou a enxergar com clareza quando recobrou a sobriedade. O homem só pode entender o seu estado miserável quando é despertado pelo poder da Palavra de Deus: "Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá" (Ef 5.14).
2. Tomou disposição para recomeçar
Essa foi a atitude mais nobre do jovem: mostrou prudência, inteligência, lucidez e buscou nova oportunidade para recomeçar. A atitude de "levantar" ilustra a diligência espiritual (Rm 13.11,12). Esta deve ser a atitude daqueles que, um dia, iludidos pelo prazer do pecado, deixaram a presença do Pai (Hb 11.25). Se você, por meio deste estudo, ouviu a voz do Espírito Santo, não endureça o seu coração (Hb 3.7,8). Tome esta decisão: "Levantar-me-ei, e irei ter com meu Pai..." (v. 17a).
3. Apropriou-se do amor perdoador do Pai
"Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés" (v. 22). Isso nos fala das vestes espirituais e aponta pra a justiça de Deus em Cris Jesus (Sl 132.9; Rm 5.1). O anel na mão fala de autoridade e as sandálias nos pés, de filiação, pois os escravos não usavam calçados. É uma característica do amor de Deus atrair para si homens de todos os povos e nações para o reino do seu amor (Jr 31.3), perdoando-lhes as suas ofensas por meio do sangue de Cristo derramado na cruz.
Desta forma, concluímos este estudo que nos desafia a uma tomada de decisão. É provável que todos nós tenhamos alguma área a ser tratada em nossas vidas. Afastar-se de Deus é cair na mediocridade e sofrer perdas de valores irreparáveis, muitas vezes.
Deus é longânimo e amoroso, por isso devemos nos voltar para Ele, enquanto há tempo (Is 55.6). Tomemos, agora, a decisão de regressar à casa do pai, a fim de sermos tratados por Ele, uma vez que só Nele há copiosa redenção.
29 agosto 2014
- "Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo" (Lucas 14.25-35)
O investimento do cristão
Introdução
Ao contrário do que muitos pensam, a vida tem um preço a ser pago. Embora a salvação seja gratuita, não se pode consegui-la, e muito menos levá-la a termo, se não for com muito esforço (Lc 16.16 "A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele."). No texto que vamos estudar, esta verdade é destacada. Podemos ver que se trata de um investimento de valor calculado, cujos meios foram previamente avaliados.
Condições para o Reino de Deus
Nos versículos 28 a 32, Jesus Cristo esclareceu este fato diante de uma grande multidão, comparando a vida cristã com a edificação de uma torre e com os preparativos visando a uma guerra. Com isso Ele quis mostrar, que antes de aceitarmos as condições de ingresso no Reino de Deus, precisamos fazer uma introspecção para saber se vamos levar adiante o novo empreendimento ou não.
Em primeiro lugar, ninguém é forçado a ser cristão, pois Jesus diz: "qual de vós, querendo..." (Lc 14.28). É um ato deliberado da vontade do homem receber, ou não, a condição de ser cristão: "quem quiser tome de graça da água da vida" (Ap 22.17). No entanto, todo aquele que tomar a decisão de "edificar" sua vida em Cristo, deverá se assentar "primeiro a fazer as contas dos gastos,para ver se tem com que acabar".
Muitas pessoas, decidiram seguir a Cristo, mas, para vergonha delas, desistiram no meio do caminho. Puseram o alicerce, mas não puderam concluir o empreendimento. Hoje, afastadas, servem de escárnio e vergonha (Lc 14 29,30; Mt 5.13).
Quando um cristão investe no Reino de Deus como soldado, não corre risco desnecessários (Lc 14.31,32). Porque, primeiro, para lutar em uma guerra, precisa estar preparado com treinamento e armas adequadas. É necessário, também, conhecer a força do inimigo que vem contra nós. Entrar numa guerra despreparado é partir para a derrota. Desta forma, Jesus Cristo ilustrou dizendo: "Ou qual é o rei que , indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?" (Lc 14.31). O cristão não pode correr o risco de entrar na guerra espiritual sem o devido preparo e perder a batalha. Satanás é cruel e não poupará os perdedores (Lc 11.24-26). Contudo, "as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas" (1Co 10.4).
Em certa ocasião, algumas pessoas eufóricas ofereceram-se para seguir a Cristo, talvez sem avaliar os meios, as condições ou os riscos. O Senhor os confrontou mostrando que quem aceita as condições do Reino, não deve esperar por uma vida de conforto nesta terra (Lc 9.57,58); quem se propõe a segui-lo, não é dono do próprio tempo (Lc 9.59,60) e, para ser um discípulo de Jesus, exige-se disciplina e concentração naquilo que se propõe a fazer (Lc 9.61,62). No texto (Lc 14.25-35), tema da postagem, extraímos três condições para quem quer gozar a vida cristã:
1ª Condição:
- Disposição para sofrer perdas
"Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo" (Lc 14.26). De acordo com o contexto, a palavra aborrecer traz o sentido de "desgostar", ou seja, perder o interesse. Paulo aplica a mesma ideia de ensinar a igreja de Corinto: "...como nada tendo e possuindo tudo" (2Co 6.10b). Isso equivale a dizer que podemos possuir tudo, mas não podemos ser possuídos por nada. Em relação aos familiares, quer dizer que devemos nos desprender deles, se for o caso, para colocar o Reino de Deus em primeiro lugar. Abraão teve de fazer isso para atender ao chamado divino (Gn 12.1).
2ª Condição:
- Disposição para morrer para o mundo e para si mesmo
"E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo" (Lc 14.27). A cruz fala de morte. Jesus morreu nela e nos convida solenemente a tomar a nossa. A cruz, neste caso, não significa um instrumento de madeira, muito menos minha esposa, meus filhos ou minha sogra. Representa a morte do meu "ego". O apóstolo Paulo explica bem esta doutrina em Romanos 6.6: "sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, afim de que não sirvamos mais ao pecado". Esta verdade torna-se realidade em nosso viver diário, quando renciamos a tudo o que somos e o que temos (Lc 14.33).
3ª Condição:
- Disposição para manter a qualidade na vida cristã
"Bom é o sal, mas, se ele degenerar, com que se adubará? Nem presta para a terra, nem para o monturo (lixo); lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça" (Lc 14.34,35). Um efeito da mentalidade das igrejas hoje é o que tem sido chamado de "a síndrome da porta de vai e vem". As igrejas estão repletas de pessoas buscando sentido para a vida, alívio para suas ansiedades e preocupações. Assim, elas as escolhem como faz com refrigerantes. Tão logo a igreja que frequentam deixa de satisfazer às suas necessidades, elas saem pela porta tão facilmente quanto entraram. Buscam conforto e se esquecem de que precisam de uma igreja que as façam crescer em Cristo e no amor para com os outros (2Pe 1.5-8; 3.18).
Conclusão
Ser um cristão depreende condições a serem cumpridas. Abraçar estas condições da vida cristã significa calcular o valor a ser pago e avaliar se os meios são perfeitamente viáveis.
Não podemos começar este empreendimento sem os devidos preparos. Portanto, é por meio da renúncia e da morte do nosso egoísmo que conseguiremos levar a termo este edifício para a glória de Deus.
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