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09 junho 2014

- As atitudes do cristão

Dai, e ser-vos-á dado - Lucas 6.37-45

"Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.
Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?
O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for beminstruído será como o seu mestre.
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.
Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto.
Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.
homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.".

     As atitudes dos cristãos estão evidenciadas, em grande parte, nas parábola de Jesus Cristo; e nesta passagem não é diferente. Ao fim desse estudo, perceberemos que esta parábola não trata apenas do julgamento alheio, mas de ações que envolvem a generosidade e o amor para que seja alcançada a perfeição diante do Senhor e, através dos frutos, mostrarem como devem ser as atitudes do verdadeiro cristão.

AS ATITUDES DOS CRISTÃOS DEVEM SER COM AMOR

     Jesus Cristo enfatiza a questão do julgamento, porém surgem duas concepções diferentes a respeito  deste assunto: para alguns, o verdadeiro cristão não pode julgar; para outros, o julgamento já se tornou um hábito constante em suas vidas. Mas, afinal, o crente pode ou não julgar? Para uma atitude verdadeiramente cristã, é necessário analisar essa questão com generosidade e amor.
     No versículo 37, Jesus sempre vivia rodeado de pessoas consideradas a escória do mundo, mas nunca as tratou com indiferença. Àqueles que estavam errados por não conhecerem a verdade, Ele os enxergava com seu olhar de amor, ensinando-lhes o caminho da salvação (Mt. 9.10-13).
     Bem distantes do exemplo de Cristo, muitos cristãos perdem a oportunidade de angariar almas para o reino, por causa do seu julgamento preconceituoso acerca das pessoas, trazendo com isso irritação e desrespeito ao Evangelho de Cristo. A Palavra nos diz em João 8.32: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Por isso, o amor deve ser sempre o bálsamo que limpa a nossa visão do preconceito e nos leva a pronunciar a verdade, trazendo libertação e não um julgamento indiferente.
     "... Pode, porventura, um cego guiar outro cego?" (Lc 6.39b). Devemos evitar injustiça no julgamento. É impossível cumprir alguns mandamentos sem avaliar as pessoas. Os apóstolos, por exemplo, julgavam e nos instruem a fazer o mesmo, traçando um perfil de todos aqueles a quem devemos nos afastar para proteger a Igreja das  falsas doutrinas e outros tipos de contaminação (1Co 5.11-13; 2Jo 1.7-11; Jd 1-4, 12-24). No que se concerne a indicação de alguém a um cargo, nós também devemos julgar o caráter do candidato, restritamente à luz das exigências bíblicas, a fim de fortalecer a Igreja com uma liderança que honre o seu cargo (Tt 1; 1Tm 3).
     Estes julgamentos, como observamos, devem ter alvos específicos e estar envoltos pelo forte laço do amor par que não se cometa injustiças e não se lance fora dos braços de Cristo pessoas que estão em dificuldades e que precisam, como amor, serem restauradas à presença do Salvador. E, ao final, é sempre bom lembrar que "com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo" (Lc 6.38c).

OS CRISTÃOS DEVEM VISAR A PERFEIÇÃO DE CRISTO

      No versículo 40, Jesus falava a pessoas que se julgavam perfeitas, no entanto, estavam mergulhadas na hipocrisia. Embora fossem dizimistas, negligenciavam o mais importante da lei: a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23.23) O Evangelho de Cristo, contudo, nos constrange a atitudes mais nobres.
     Como cristão devemos enxergar nossos próprios defeitos e muitas vezes, o homem não consegue olhar o espelho da sua alma, pois o seu reflexo fere de maneira contumaz os princípios cristãos. Contudo, ergue-se em sua arrogância, sentindo-se capaz de apontar os defeitos alheios e ainda corrigi-los. Para estes, é preciso lembrar as palavras contidas em João 8.7: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela".
     Para tentar alcançar a perfeição do Mestre é necessária uma análise diária, enxergando os próprios erros e defeitos, e com arrependimento retirar as "traves" que impedem uma vida correta diante de Deus e também dos homens; "... e, então, verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão" (Lc 6.42). 
     O cristão deve ajudar nas dificuldades alheias para alcançar a perfeição diante de Cristo sem ter os olhos voltados para os que estão à nossa volta, ajudando-os a se colocarem de pé. Como nos diz Ernest Blevins" "O melhor exercício para fortalecer o coração é abaixar-se e levantar os que estão caídos".
     A Palavra dos diz que Jesus não foi enviado para condenar o mundo mas para salvá-lo (Jo 3.17). Em Mateus 12.20 vemos que Jesus "Não esmagará o galho quebrado, nem apagará a luz que já está fraca" (Bíblia Linguagem de Hoje). Até o último instante, Ele cuidará dos feridos para que sejam restaurados. O cristão, também, precisa sentir a real dificuldade daquele que está ao seu lado precisando de ajuda para erguer-se novamente diante de Deus. Isso se chama misericórdia, e tal como agimos com o nosso próximo, assim o Senhor agirá conosco (Mt 18.23-35).

OS CRISTÃOS DEVEM PRODUZIR BONS FRUTOS

     É sempre possível reconhecer a qualidade de um fruto entregue a Cristo, pelas palavras e ações que procedem de um verdadeiro cristão.
     Não há dúvidas de que o ser humano é conhecido por tudo o que diz por meio das palavras, pois são as palavras que nos qualificam como sábios, ignorantes, sensíveis, arrogantes, etc. Mais que um mecanismo da fala, as palavras estão carregadas de pensamentos e sentimentos que provêm do coração (Pv 10.19-21). É por meio delas que colhemos os nossos frutos para Cristo. Por isso  é tão importante que tenhamos cuidado com tudo aquelo que dizemos, pois as palavras formulam o conceito que as pessoas têm a nosso respeito, e também à respeito do Senhor, a quem dizemos servir (Cl 3.8-17). "... porque da abundância do seu coração fala a boca" (Lc 6.45).
     Os frutos decorrentes das nossas ações não serão avaliados por Deus somente quando finalmente os entregarmos a Cristo, mas são analisados constantemente por todos aqueles que nos cercam (Fp 1.9-11). Enganam-se aqueles que desprezam os atos corriqueiros da vida diária, como se não fosse observados. São as nossas pequenas atitudes de justiça, de amor, de colaboração e ajuda ao próximo, contadas como belos frutos, que levam as pessoas a desejarem também servir ao nosso Senhor e a cooperarem conosco no crescimento do Reino Celestial.
     Ser cristão não é uma ideia, mas ação e atitude; por isso devemos ter cuidado com a projeção dessas atitudes, pois elas refletem quem somos, o que pensamos e o que trazemos no mais íntimo do nosso coração. A reflexão diária sobre os nossos erros e defeitos deve sem constante, para que o amor transborde de um coração misericordioso, capaz de entender as dificuldades alheias. Somente assim conseguiremos caminhar em direção ao Mestre, levando conosco vidas que, mesmo em face às mais diferentes dificuldades em manterem-se de pé, são tão preciosas quanto cada um dos que se acham tão "perfeitos".

30 maio 2014

- Critérios no uso dos talentos

Introdução
A comparação do reino dos céus com o conteúdo da parábola dos talentos é evidente: "Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens" (Mt 25.14). Jesus mostrou claramente a responsabilidade dos seus arautos em "negociar" tudo o que Ele os legou na sua partida para o Pai, até o regresso para levar-nos consigo.

Queremos com isso dizer que, nesse estudo iremos abordar os "Critérios" para a distribuição dos talentos, a forma correta de utilizá-los e o tipo de retribuição que todos os servos, sejam eles bons ou maus receberão do Senhor.

Em Mateus 25.14-30, o Senhor não distribuiu os talentos aleatoriamente, mas usou de alguns critérios para que, quando voltasse, tivesse como avaliar de forma justa e coerente o comportamento e o desenvolvimento de cada um deles. O crescimento e expansão do reino dos céus dependem da multiplicação dos talentos. Vejamos os critérios utilizados pelo Senhor:

I - HOUVE CRITÉRIOS NA DISTRIBUIÇÃO DOS TALENTOS

1. O Senhor chamou todos seus servos (Mt 25.14b)
Todos os servos foram convocados a comparecerem diante do senhor; e, no que diz respeito ao Reino de Deus, este foi também o primeiro critério utilizado: Ele chamou a todos. Entendemos que não exista um só cristão que possa se desculpar diante do Rei da glória, visto que a todos foi dada a oportunidade de apresentar algum serviço diante Dele. Você, meu irmão, é importante para Deus. No reino dos céus não existe, no que depende de Deus, servo inútil.

2. O Senhor confiou seus bens a todos (Mt 25.14c)
O segundo critério foi o da confiança. No reino dos céus não há nada de pouco valor, pois são os bens pertencentes ao Senhor. Notamos aqui duas coisas significativas: Primeiro, a confiança que o Senhor depositou em nós, e isso é admirável. O Senhor confiou em nós e espera a devida correspondência; Segunda, nos entregou o melhor, ou seja, seus próprios bens. Ele não dificultou e nem nos deu fardos pesados: "O Senhor dará bens aos que lhe pedirem" (Mt 7.11).

3. O Senhor considera a capacidade de cada um (Mt 25.15b)
Vejamos o que Deus leva em consideração no que diz respeito aos talentos distribuídos:

a) Individualidade - O Senhor tratará com cada um de nós individualmente e não com a multidão como um todo. Não poderemos nos esconder Dele. "E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas" (Hb 4.13);

b) Responsabilidade - Cada um deve desenvolver o dom adquirido e não apenas conservá-lo. Ninguém cantará, pregará ou fará qualquer outra coisa por você. O dom é seu;

c) Identidade - O Senhor nos conhece (Jo 10.14), temos uma identidade. No universo inteiro não existe outro exatamente igual a você, Ele te chama pelo nome (Jo 10.3).

d) Capacidade - Diante de Deus, ninguém pode dizer: "Senhor, não tenho competência". O Senhor não te deu talentos acima da sua capacidade: "Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares" (Js 1.9).

II - CRITÉRIOS NO USO DOS TALENTOS

Quando utilizamos os dons de Deus, estes se multiplicam, pois transformam nossas vidas de tal maneira que ficamos em condições de revelar mais a plenitude que Ele nos oferece. O amor gera mais amor; a fé, mais fé, a obediência à Palavra de Deus produz uma fonte de virtude que vai influenciando nosso ambiente, ou seja, no trabalho, em casa, na escola, com os vizinhos e principalmente na igreja. (2Pd 1.3-8). Portanto:

1. É necessário trabalho e confiança
Éramos escravos e o Senhor nos elevou à posição de mordomos, dando-nos talentos. Por isso, devemos nos empenhar em prol do Seu Reino.

O versículo 16 de Mateus 25 "E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos" mostra que o servo contemplado com cinco talentos "foi imediatamente negociar", revelando a sua imensa devoção ao seu Senhor. Vamos analisar essa frase "FOI IMEDIATAMENTE NEGOCIAR"

a) Ação - "foi". O servo não esperou ser mandado, pois entendeu que o Senhor jamais lhe daria algo tão valioso apenas para ser guardado. O Senhor esperava atitude da parte dele;

b) Urgência - "imediatamente". Tinha consciência de que havia um tempo limitado entre a partida e o regresso do seu Senhor, que voltaria para ajustar as contas;

c) Responsabilidade - "negociar". O servo não gastou o talento, ele o aplicou de forma a obter lucro para o seu Senhor. Não esnobou no uso dos talentos, porque não eram seus;

d) Capacidade - "ganhou outros cinco". Negociar com os talentos não é vendê-los para angariar riquezas para si, como muitos cantores e pregadores têm feito. O bom servo, fiel, conseguiu lucro de cem por cento para o seu Senhor.

2. É necessário deixar a negligência e a desobediência

A parábola nos revela que, enquanto dois labutaram confiadamente, um servo foi negligente e desobediente ao seu Senhor. Agiu de forma contrária dizendo: "Eu sei que o senhor é um homem duro, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Fiquei com medo e por isso escondi o seu dinheiro na terra. Veja! Aqui está o seu dinheiro" (versículos 24 e 25 Versão na Linguagem de Hoje). Ele não quis arriscar-se e fazer o dom circular. Preferiu a neutralidade, isentando-se da responsabilidade.

Muitos, agem de forma idêntica, "enterram os seus talentos". São cristãos que têm medo de Deus, por não conhecerem o seu amor e não possuírem intimidade com Ele.

III - HAVERÁ CRITÉRIOS NA RETRIBUIÇÃO DO SENHOR

O reino dos céus tem se expandido na terra, graças à ação do Espírito Santo na Igreja. Os servos fiéis não têm poupado esforços no sentido de aplicar seus talentos para a maior glória do Rei dos reis. Em contrapartida, os servos inúteis têm persistido na negligência e na ociosidade. Quando o Senhor voltar, chamará a todos para restarem contas (2Co 5.10). Vejamos então que acontecerá:

1. Ao servo fiel, reconhecimento e recompensa (Mt 25.21)

Todo empregado gosta de ser reconhecido na tarefa que executa. De igual modo, quando estivermos ali, perante o Senhor, nós que desenvolvemos o nosso talento, ouviremos dele: "muito bem, servo bom e fiel". Isso compensará todo o sofrimento, cansaço e lágrimas vertidas, pois o Senhor será o nosso alento e enxugará dos nossos olhos toda lágrima (Ap 21.3,4). Na avaliação do Senhor o que mais pesou foi o fato do servo mostrar fidelidade sobre o pouco. Muitos argumentam que não pregam porque não são grandes pregadores, ou não ensinam porque não são teólogos. Mas quem é infiel no pouco, é infiel no muito; por isso Deus não pode confiar aos tais muitos bens. Os servos que multiplicaram seus talentos receberam bênçãos dobradas. Se formos fiéis, Ele próprio nos receberá orgulhoso do nosso desempenho, nos fará entrar no regozijo reservado para os vencedores (Rm 8.37; Ap 21.7).

2. Vexame, rebaixamento e desprezo (vv 26-28)

O servo mau é aquele que age com negligência, preferindo deixar para outro aquilo que ele mesmo poderia fazer. Trata-se de uma preguiça espiritual, que é como um câncer destruidor, que impede o servo de produzir (Pv 13.4).

O fato de ter recebido apenas um talento em nada prejudicou o servo negligente na hora do acerto final, pois o que multiplicou os dois talentos teve o mesmo tratamento daquele que multiplicou cinco (vv. 21, 23). A inutilidade do servo está na falta de "produtividade" no Reino de Deus, e por isso, ele foi lançado fora da presença do Senhor. Notemos a sequência dos fatos: O acerto começou com o que possuía cinco talentos até chegar ao que só tinha um. Isso indica que o servo mau presenciou seus conservos sendo recompensados, antes de ser ele mesmo lançado nas trevas exteriores. Não pode existir desprezo pior! É como o rico que, atormentado, teve condições de ver Lázaro no seio de Abraão (Lc 16.23).

Ao concluirmos esse estudo vamos lembrar do refrão do hino 16 da harpa cristão que diz: "Posso tendo as mãos vazias, com Jesus, eu me encontrar? Quantas almas poderia ao Senhor apresentar?". O trabalho que fizermos para o Reino pode levar alguém a ter um encontro com Cristo. Você está desenvolvendo o seu talento? Se o enterrou ainda há tempo de desenterrá-lo, para que possa ser negociado em favor do reino dos céus. Lembrem-se, o Senhor virá em breve e o requererá das suas mãos.

17 abril 2014

- A volta do Senhor para o cristão

A vida cristã em parábolas

Mateus 25.13
1 Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a
encontrar-se com o noivo. 2 Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. 3 As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; 4 no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas.

5 E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. 6 Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! 7 Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. 8 E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. 9 Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o.

10 E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta.

11 Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 12 Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. 13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.
      A parábola das dez virgens adverte-nos quanto à expectativa da vinda de Cristo e a necessidade de vigilância por parte dos crentes.
       Quando o momento do arrebatamento chegar, serão revelados os verdadeiros cristãos, aqueles que mantiveram uma fé inabalável na pessoa bendita de Cristo Jesus. Assim, cabe a todos nós, estar vigilantes.

      Nos versículos 1 a 5 de Mateus, a mulher grávida espera a chegada do seu filho, atentando para todos os detalhes a fim de não ser surpreendida no momento. Da mesma forma, o cristão vigilante aguarda a vinda de Jesus Cristo, sabendo que ela se dará num momento em que não imagina. Esta parábola nos ensina as exigências para a espera pelo Senhor.

I - A ESPERA PELO SENHOR

    1. Exige determinação
        O texto diz que as dez virgens, centradas nos seus objetivos, saíram ao encontro do noivo. Da mesma forma, o reino dos céus é constituído de pessoas determinadas e que sabem o que querem. Servos que lançam a mão do arado e não olham para trás (Lc 9.62); cristãos que estão com os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé (Hb 12.2); e, que prosseguem para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp 3.14). O cristão vigilante sabe o que está esperando e conhece as promessas na Escrituras sobre este evento. "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (2Pe 3.13).

    2. Exige prudência
       O texto diz que das dez virgens determinadas apenas cinco eram prudentes. Estas, juntamente com sua lâmpadas, levaram também azeite, símbolo do Espírito Santo, de reserva em suas vasilhas. Eram cheias do Espírito Santo e não somente simpatizantes do Evangelho. Existem muitos cristãos imprudentes hoje que até aguardam a vinda de Jesus, mas que brincam de ser crentes e são irreverentes com a obra de Deus. São imprudentes como as outras cinco virgens, que não levaram azeite de reserva consigo (v. 3). A prudência nos leva a agir com diligência, praticar boas obras, orar com fervor e devoção e a viver com piedade diante de Deus.

    3. Exige vigilância
          "tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram" (v. 5). A vigilância não exige que fiquemos acordados o tempo todo. podemos manter um espírito vigilante, mesmo enquanto dormimos. Na parábola, todas as moças estavam dormindo, mas ao primeiro sinal, despertaram. Até este ponto não houve distinção entre elas; o problema só veio à tona quando tiveram que preparar as suas lâmpadas, pois as loucas não tinham azeite, e isso fez a diferença. Mesmo envoltos em tribulações e dificuldades que sufocam a nossa esperança, deixando-nos como quem dorme, interiormente devemos estar preparados (Mt 26.41). A qualquer momento, seremos despertados pelo som das trombetas, para encontramos o Senhor nos ares (1Ts 4.16).

II - O ENCONTRO COM O SENHOR

         O evento mais glorioso que acontecerá na história da humanidade, infelizmente, não trará benefícios para todos, pois somente os que estiverem preparados gozarão deste privilégio. Vejamos como será este encontro?

     1. Será inesperado
       "E, tardando o esposo..." (v. 5a). A vinda de Jesus parece, segundo o nosso entendimento, demorada demais. Este é o principal motivo pelo qual muitos estão dormindo. Mas além de estarmos preparados, devemos também nos renovar a cada dia, fortalecendo a nossa fé nas promessas da sua vinda, encontradas na Palavra de Deus. Para aquelas virgens, representantes legítimas da igreja de hoje, à meia-noite o noivo apareceu (v. 6). A manifestação do noivo deu-se numa hora totalmente improvável. Contudo, poderia ter sido em qualquer outro momento. Assim também será a vinda do Senhor; ela se dará em dia e hora inesperados (v. 13).

      2. Será rápida
             Nos versículos 7 a 9, certamente, o momento da vinda do Senhor não é a ocasião mais oportuna para alguém se preparar, uma vez que acontecerá de forma súbita. As virgens prudentes saíram ao encontro do noivo quando já estavam preparadas. A insensatez levou as virgens imprudentes ao desespero: "Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam", disseram (v. 8). Porém, eram tarde demais; não havia quem pudesse socorrê-las. Isso deve nos servir de alerta, pois a santidade pessoal não pode ser repartida. É triste ver como muitos crentes podem estar tão despreocupados com relação à própria santificação (Hb 12.14). Portanto, quem quiser se preparar deve fazê-lo enquanto é dia, ou seja, agora, pois o Espírito Santo será tirado, e as trevas se intensificarão.

     3. Será para os preparados
            No versículo 10 não houve nem um tipo de empecilho, quem estava preparada entrou.  O Senhor receberá com grande alegria os seus servos que o aguardam e amam na sua vinda (2 Tm 4.8). As virgens imprudentes sequer viram o noivo. Assim será também com os despreparados; quando perceberem, a Igreja santa já estará na glória com o Senhor para sempre (1 Ts 4.17). A expressão: "e fechou-se a porta", dá a entender que o Senhor não abrirá exceção para ninguém. O critério será o mesmo usado no dilúvio: a arca foi fechada por fora pelo próprio Deus (Gn 7.16). Na vinda do Senhor será também assim, Deus fechará a porta da graça.

III - MUITOS SERÃO REPROVADOS PELO SENHOR

      As parábolas do reino procuram enfatizar a diferença entre vencedores e derrotados, justos e injustos, bons e maus, prudentes e insensatos. Segundo os ensinos de Jesus, estes grupos opostos não compartilharão o mesmo destino. "E irão estes para o tormento eterno, mas, os justos, para a vida eterna" (Mt 25.46).

         1. "Senhor, senhor abre-nos a porta"
               Assim será o grito de pavor dos reprovados ao perceberem que o Senhor já levara consigo a sua igreja.
Somente depois de todos os acontecimentos, e já com a porta fechada, é que vieram também as néscias, mas já era tarde demais. Existem pessoas que sentem prazer em chegar atrasado, não fazendo o menor sacrifício para cumprir o horário previsto. Será que na vinda do Senhor estes retardatários chegarão a tempo de entrarem? Será que poderão dizer: "Senhor , espera um pouco, até que nos santifiquemos?". É certo que não.

        2. "Não vos conheço"
             A pior coisa que pode acontecer é o crente entrar para o grupo dos estranhos. João disse que quem aborrece o seu irmão não conhece a Deus (1 Jo 4.7,8) e conhecer é ter intimidade. O Senhor conhece os que são seus (2Tm 2.19). A Bíblia trás uma séria advertência quanto aos estranhos, os que procuraram um relacionamento com Deus baseado apenas na aparência: Muitos me dirão naquele dia: Senhor,  Senhor, não profetizamos em teu nome? E, em teu nome não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci: apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade" (Mt 7.22-23).

IV - CONCLUSÃO
          O objetivo deste estudo é despertar aqueles que estão alienados quanto ao maior evento a ser desencadeado nesta terra, um evento que abalará todas as estruturas deste planeta, a saber, o arrebatamento da igreja. Que possamos estar atentos, vigilantes, sabendo que o nosso Senhor virá num momento em que não imaginamos, e que, para não sermos surpreendidos naquele dia, precisamos estar preparados, com nossas lâmpadas a postos e em perfeita comunhão com o Espírito Santo. Se assim for, no lugar da dura expressão: "não vos conheço", ouviremos o maravilhoso convite: "entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25.21b).